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Crise de 2008 atingiu taxa de natalidade nos países desenvolvidos (O Globo dia 29/06/2011)

A recessão econômica global fez diminuir o aumento geral da natalidade registrado em muitos países desenvolvidos nos últimos anos, com alguns deles experimentando uma queda significativa nos nascimentos desde a crise de 2008, indica um estudo realizado na Áustria. As mulheres que passaram a repensar a ideia de ter filhos sob a incerteza econômica são, em maioria, jovens que ainda não eram mães.
Os pesquisadores explicaram que a recessão atingiu o primeiro aumento considerável dos números de natalidade no mundo desenvolvido desde 1960. Isso porque as profissionais jovens, principalmente, passaram a ter medo do seu futuro financeiro se ficassem grávidas.
O estudo, realizado em colaboração com o Instituto Internacional de Sistemas Aplicados e publicado na revista "Population and Development Review", descobriu que os registros de nascimentos em 26 dos 27 países da União Europeia aumentaram gradualmente até 2008, quando começaram a cair ou permaneceram estáveis em 17 nações.
A reação das pessoas à crise econômica, em termos de vontade de ter filhos, variou de acordo com idade, gênero, nível de formação educacional, número de filhos e situação migratória.
- Os jovens e os que não têm filhos, por exemplo, são menos dispostos a tê-los durante a recessão - disse ao "Independent" Tomas Sobotka, do Instituto de Demografia de Viena, na Áustria, que liderou o estudo. - Mulheres com níveis de formação mais altos reagem à incerteza no emprego adotando uma estratégia de adiamento, especialmente se elas não têm filhos. Por outro lado, as menos instruídas geralmente mantêm ou aumentam a natalidade sob a incerteza econômica.
Os cientistas disseram que recessões anteriores duraram muito pouco tempo para gerar um impacto sério sobre esses números, mas a recessão econômica atual é ruim o suficiente para ter efeitos mais duradouros.
"Cortes consideráveis nos gastos públicos em muitos países desenvolvidos, incluindo a Espanha e o Reino Unido, destinados a reduzir o déficit orçamentário, afetarão gastos sociais e familiares e potencialmente também a natalidade", escreveram os cientistas. "As consequências da recessão podem afetar a natalidade em dois estágios: primeiro, diretamente aumentando o desemprego e a incerteza econômica, e depois pela queda no apoio financeiro de famílias com crianças".

Diferentes fases do capitalismo

Capitalismo comercial: Estende-se do século XV ao XVIII. A denominação comercial se relaciona ao fato de existir preponderância do capital mercantil sobre a produção. A maior parte do lucro concentrava-se na mão dos comerciantes, intermediários entre o produtor e o consumidor. Lucrava mais quem comprava e vendia a mercadoria, não quem a produzia. Por isso, o capital se acumulava na circulação, no comércio, não na produção.

Capitalismo industrial: Tem início na segunda metade do século XVIII na Inglaterra. O capital acumulado na circulação de mercadorias é investido na produção; o capital industrial passa então a dominar o conjunto da produção, distribuição e circulação de riquezas. O trabalho assalariado se instala definitivamente, em prejuízo dos artesãos, separando claramente os possuidores de meios de produção (a burguesia) e a massa de trabalhadores (o proletariado). O processo se espalha, inicialmente, pela Europa, América do Norte e Ásia. Nas últimas décadas do século XIX e início do século XX predomina em quase todas as regiões do mundo.

Capitalismo financeiro: Cristaliza- se no século XX. O sistema bancário e grandes corporações financeiras tornam-se dominantes e passam a controlar as demais atividades – indústria, comércio, agricultura e pecuária. As empresas concentram diversas atividades e tornam-se cada vez mais poderosas, assumem dimensão internacional: são as multinacionais. Devido à concentração do capital, com a formação de empresas gigantescas que dominam grandes setores da produção, podemos também chamar essa fase de capitalismo monopolista. Sobretudo a partir da década de 1980, assistimos a uma vertiginosa aceleração da mobilidade do capital, facilitado pela informática, num processo de globalização no qual o capital financeiro se torna cada vez mais desvinculado das atividades produtivas, buscando o máximo de lucro no menor tempo possível.

Doenças tropicais negligenciadas afetam ‘silenciosamente’ 1 bilhão de pessoas, diz OMS (matéria publicada pela BBC Brasil dia 15/10/2010)

Doenças tropicais geralmente negligenciadas, como o mal de Chagas, a lepra, a dengue e a leishmaniose, ainda afetam cerca de 1 bilhão de pessoas em 149 países do mundo, mas de forma “silenciosa”, segundo relatório divulgado nesta sexta-feira pela OMS (Organização Mundial da Saúde).
O Brasil é apontado no relatório como tendo incidência da maioria das 17 doenças tropicais listadas, que podem causar problemas como cegueira, úlceras e cicatrizes, dor severa, deformidades e danos em órgãos internos e no desenvolvimento físico e mental do paciente.
O relatório afirma, no entanto, que o controle desses males, mais comuns em áreas rurais e em favelas urbanas, é “viável”.

Fome no mundo diminui pela primeira vez em 15 anos, diz FAO (matéria publicada pela BBC Brasil dia 14/09/10)

O número de pessoas subnutridas no mundo teve a primeira queda em 15 anos no último ano, de 1,023 bilhão para 925 milhões, segundo um relatório divulgado nesta terça-feira pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).
Segundo a organização, a queda nos números absolutos de subnutridos em 2010 é consequência, em grande parte, da expectativa de retomada do crescimento da economia, particularmente em países em desenvolvimento, e da queda no preço de alimentos desde meados de 2008.

O desemprego no mundo

A crise econômica provocou a perda de 16 milhões de empregos ao redor do mundo, sendo que quase 75% desses postos de trabalho foram extintos em países desenvolvidos.  O setor mais afetado pela recessão foi a indústria, principalmente nos setores automotivo, metalúrgico e de produtos de informática e eletrônica, com 9,4 milhões de empregos perdidos.  Cerca de 3,3 milhões de empregos foram cortados no setor da construção civil apenas nos nove primeiros meses de 2009, sendo 630 mil deles nos Estados Unidos. Áreas como saúde, educação e administração pública, que embora não tenham sido imediatamente afetadas pela crise, podem sofrer mais adiante as consequências do aumento da dívida pública em muitos países.

O FICS (artigo publicado no globo 08/05/10 pelo Senador Cristovam Buarque)

O mundo do século XXI está cheio de siglas que representam grupos de países. O grupo mais recente, formado por Brasil, Rússia, Índia e China, é chamado de BRIC.

O que unifica esses quatro países são suas dimensões demográficas e territoriais – entre as maiores do mundo – e o fato de suas economias terem crescido nas últimas décadas, tornando-os nações emergentes no mercado mundial.

O PIB do BRIC equivale a US$ 16 trilhões, 23,51% do produto bruto global; suas exportações somam cerca de US$ 2 trilhões, 13,03% do total das exportações mundiais. Participações surpreendentes, se comparadas à situação desses países há até poucas décadas. Num mundo sem a polarização militar anterior à queda do Muro de Berlim e sem hegemonia política, esses países unidos formam um importante centro de poder. Por isso, a recente reunião do BRIC, em Brasília, foi um fato importante para o mundo, e chamou a atenção da imprensa internacional.

Outro grupo – nem criado nem batizado – pode ter mais futuro do que o BRIC. Trata-se do grupo Finlândia, Irlanda, Coreia do Sul e Suécia, que podemos chamar de FICS. O que caracteriza esses países é o fato de deterem o principal capital do futuro: o conhecimento.

Se os países do BRIC têm altas taxas de produção, consumo e participação no comércio internacional, os países do FICS fazem parte da elite educacional do mundo. A comparação entre os dados educacionais do BRIC e do FICS mostra a diferença entre eles.

Enquanto os países do FICS ficam entre o 1ª e 22ª lugares, os países do BRIC estão entre a 34ª e a 52ª posições, na avaliação da educação feita pela OCDE (Programa Internacional de Avaliação de Alunos – PISA) em 57 países, analisando o desempenho em leitura, matemática e ciências. Enquanto no FICS as taxas de conclusão do Ensino Médio ficam entre 62% e 91%, no BRIC ficam entre 15% e 57% da população.

Todos os países do FICS têm 100% de sua população adulta alfabetizada, mas no BRIC – com exceção da Rússia, que também atinge 100% – as taxas variam de 94% a 66%.

Os países do FICS têm posição modesta na produção global, apenas 2,97% do PIB mundial, mas participam com 5,41% do total das exportações. Graças à boa educação de base, os FICS produzem e exportam cada vez mais bens com alto conteúdo científico e tecnológico, enquanto os BRICs exportam principalmente bens agrícolas e minerais, produtos da indústria têxtil e mecânica com baixo teor de beneficiamento, produtos esgotáveis, como petróleo e gás, ou mesmo simples bugigangas.

A realidade mostra as vantagens do FICS sobre o BRIC: a renda per capita dos primeiros é 4,9 vezes maior que a dos últimos. O índice de Gini (quanto mais próximo de 1, pior a distribuição de renda) do BRIC varia de 0,550 (este, o pior índice, é do Brasil) a 0,370; ao passo que no FICS, fica entre 0,250 e 0,343. O Índice de Desenvolvimento Humano – IDH, (quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento) no FICS varia de 0,937 a 0,965; enquanto no BRIC varia de 0,612 a 0, 817. Os países do FICS também levam vantagem na estabilidade social e política, na proteção ao meio ambiente, na ética da política e na paz das ruas. Mesmo em momentos de crise financeira, que pode ocorrer na Irlanda, a recuperação será possivelmente mais rápida.

Mas é sobretudo o indicador-de-futuro que coloca esses países em condições superiores. O FICS tem território insignificante, pequena população, consumo e produção baixos, reduzida participação no comércio internacional. Mas em uma economia cada vez mais baseada no valor do conhecimento, o futuro será muito mais brilhante para o FICS, se comparado com o atraso educacional do BRIC.

Daqueles, Coréia e Irlanda iniciaram suas revoluções há poucas décadas. A situação educacional deles não era melhor do que a brasileira há até poucos anos. Mas eles mostraram que era possível. Pena que seja tão difícil convencer os brasileiros a imaginarem nosso País com educação de qualidade para todos. É por isso que ficamos comemorando o BRIC, ignorando a vantagem discreta do FICS.

ONU vê risco de violência fora de controle na Tailândia (matéria publicada na BBC Brasil 17/05/10)

A ONU disse nesta segunda-feira que a violência na Tailândia, que causou a morte de 37 pessoas nos últimos cinco dias, pode fugir ainda mais do controle e pediu para que manifestantes e o governo dialoguem.

"Ao passo em que se esgota o último prazo do governo, há o risco de que a situação escape do controle", disse disse a Alta Comissária das Nações Unidas para Direitos Humanos, Navi Pillay por meio de um comunicado.

Ela referia-se ao prazo esgotado nesta segunda-feira que foi dado pelo governo para que os cerca de 5 mil manifestantes, chamados de camisas vermelhas, abandonassem seu acampamento no centro da capital Bangcoc.

"Peço para que os líderes coloquem seu orgulho e a política de lado em nome do povo tailandês. Para evitar maiores perdas de vidas, apelo para que os manifestantes deem um passo para trás e para que as forças de segurança mostrem o máximo de moderação, respeitando as instruções do governo", disse ela.

Nesta segunda-feira, um líder manifestante e um negociador do governo não chegaram a um acordo para uma trégua após uma conversa telefônica de cinco minutos.

O governo insiste que os manifestantes devem abandonar o acampamento antes de dialogar. Já os camisas vermelhas afirmam que uma pré-condição para o diálogo é que os militares suspendam o cerco ao acampamento.

Os camisas vermelhas exigem a renúncia do primeiro-ministro tailandês, Abhisit Vejjajiva, a dissolução do parlamento e a realização de eleições.

A grande maioria dos manifestantes apoia o ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, que foi deposto em 2006.

Os protestos vêm ocorrendo desde março, mas a violência voltou a aumentar na quinta-feira passada, quando o general dissidente Khattiya Sawasdipol, que apoiava a oposição, foi ferido com um tiro na cabeça.

Conhecido como Comandante Vermelho, Sawasdipol, que foi alvo de um atirador não identificado, morreu nesta segunda-feira, após permanecer vários dias em estado grave.

Desde a semana passada, as forças de segurança tailandesas mantêm um cerco ao acampamento.

A correspondente da BBC Rachel Harvey, que está no acampamento, disse que após o horário imposto para todos deixarem o local (15h, horário local, 5h de Brasília), houve vários discursos e os presentes - a maioria mulheres - aplaudiram bastante.

"Nós vamos continuar persistindo em ficar aqui. E vamos falar para todos para não ter medo. É só ficar quieto, sentado ou de pé. E não revidar. E se eles quiserem nos matar, que nos matem", disse aos manifestantes Weng Tojirakarn, um dos líderes dos protestos.

Outro correspondente da BBC em Bangcoc, Chris Hogg, diz que a situação continua bastante tensa nas ruas da capital tailandesa.

Ele disse que soldados estão utilizando uma política de retenção com armas de fogo, atirando em direção ao acampamento para tentar manter os manifestantes a uma distância segura deles.

Em todo o país, 22 províncias já estão em estado de emergência - declarado pelo governo em uma tentativa de impedir que mais manifestantes cheguem à capital.

Cidades brasileiras integram lista das mais desiguais (matéria publicada no Yahoo dia 19/03/10)

Cinco cidades brasileiras estão entre as 20 mais desiguais do mundo. Relatório apresentado hoje, na abertura do 5º Forum Urbano Mundial da Organização das Nações Unidas (ONU), no Rio, revela que Goiânia (10ª), Belo Horizonte (13ª), Fortaleza (13ª), Brasília (16ª) e Curitiba (17ª) são as que apresentam as maiores diferenças de renda entre ricos e pobres no País. O documento "O Estado das Cidades do Mundo 2010/2011: Unindo o Urbano Dividido" também informa que o Brasil é o país com a maior distância social na América Latina.

Rio de Janeiro, na 28ª posição, e São Paulo, na 39ª, também são cidades consideradas com alto índice de desigualdade, de acordo com o relatório da ONU. Nove municípios na África do Sul lideram o ranking. As capitais da Nigéria, Etiópia, Colômbia, Quênia e Lesoto também estão entre as mais desiguais. No total, 138 cidades de 63 países em desenvolvimento foram analisadas. O relatório baseia suas conclusões no coeficiente Gini - cujos indicadores medem a concentração de renda de um país.

Na avaliação do coordenador do relatório e diretor do Centro de Estudos e Monitoramentos das Cidades do Programa da ONU para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), o mexicano Eduardo Lopez Moreno, existe vínculo direto entre desigualdade e criminalidade. Mais do que custos sociais, o abismo entre ricos e pobres também provoca prejuízos econômicos.

"Estatisticamente falando, existe sim um vínculo. É muito possível que a cidade mais desigual vai gerar muito mais fácil distúrbios e problemas sociais. As autoridades desses países vão deslocar recursos que deveriam ir para investimentos para conter esses movimentos sociais. O custo social acaba se traduzindo em custo econômico", afirmou Moreno.

Favelas

Em termos de favelização, o estudo da ONU apresenta resultados paradoxais para o Brasil. Apesar de ter sido o país que apresentou o maior número absoluto de pessoas que deixaram de viver em condições de favelização na América Latina - 10,4 milhões -, a pesquisa mostrou que o desempenho relativo ficou abaixo dos vizinhos. Enquanto as condições de moradia melhoraram para 16% da população brasileira, este índice ficou em 40,7% na Argentina, 39,7% na Colômbia, 27,6% no México e 21,9% no Peru.

As estimativas apresentadas na pesquisa são de que mais de 227 milhões de pessoas no mundo todo deixaram de viver em regiões faveladas desde o ano 2000. Isso representa uma evolução 2,2 vezes maior do que o estimado nas Metas de Desenvolvimento do Milênio, que haviam estabelecido objetivo de melhorar as condições de habitação de 100 milhões de pessoas até 2020.

"A situação melhorou em dez anos, mas infelizmente no mesmo período o aumento líquido dos pobres urbanos é de 55 milhões", disse Anna Tibaijuka, diretora-executiva do ONU-Habitat.

De acordo com a metodologia da pesquisa, deixar de viver em condição de favelização não significa necessariamente mudança de residência ou remoção de comunidade. Acesso a saneamento básico e água potável, o material utilizado nas moradias e a densidade das residências são os fatores para avaliar se uma região é ou não favelada.