Média de homicídios no Brasil é superior a de guerras, diz estudo (BBC Brasil 14/12/2011
Com 1,09 milhão de homicídios entre 1980 e 2010, o
Brasil tem uma média anual de mortes violentas superior à de diversos
conflitos armados internacionais, apontam cálculos do "Mapa da Violência
2012", produzido pelo Instituto Sangari e divulgado nesta quarta-feira.
O estudo também conclui que, apesar da redução
das mortes violentas em diversas capitais do país, o Brasil mantém um
índice epidêmico de homicídios - 26,2 por 100 mil habitantes -, que têm
crescido sobretudo no interior do país e em locais antes considerados
"seguros".
Calculando a média anual de homicídios do país em 30 anos, Julio
Jacobo Waisefisz, pesquisador do Sangari, chegou ao número de 36,3 mil
mortos no ano - o que, em números absolutos, é superior à média anual de
conflitos como o da Chechênia (25 mil), entre 1994 e 1996, e da guerra
civil de Angola (1975-2002), com 20,3 mil mortos ao ano.
A média também é superior às 13 mil mortes por
ano registradas na Guerra do Iraque desde 2003 (a partir de números dos
sites iCasualties.org e Iraq Body Count, que calculam as mortes civis e
militares do conflito).
"O número de homicídios no Brasil é tão grande que fica fácil banalizá-lo", disse Waisefisz à BBC Brasil.
Boom brasileiro opõe classes médias tradicional e emergente, diz ‘FT’ (matéria publicada na BBC Brasil dia 21/07/2011)
O sucesso das políticas do governo brasileiro para
tirar milhões de pessoas da pobreza na última década vem provocando a
criação de dois tipos opostos de classe média, afirma reportagem
publicada nesta quinta-feira pelo diário econômico britânico Financial Times.
O jornal observa que os 33 milhões de
brasileiros que deixaram a pobreza para integrar a nova classe média
emergente foram os grandes beneficiados pelas políticas oficiais,
enquanto a classe média tradicional considera que a situação no período
ficou mais difícil.
“Os preços da carne e da gasolina
dobraram, pedágios nas estradas subiram e comer fora ou comprar imóveis
ficou proibitivamente caro”, lista a reportagem.
O jornal comenta que 105,5 milhões dos 190
milhões de brasileiros são considerados hoje de classe média, mas que os
20 milhões da classe média tradicional, com renda mensal maior que R$
5.174, estão “no lado perdedor”.
“Diferentemente da Índia, onde a antiga classe
média se beneficiou com a criação de novas indústrias, como o
fornecimento de serviços terceirizados de tecnologia da informação,
muitos na classe média brasileira reclamam de aumentos de preços,
impostos, infraestrutura congestionada e mais competição por empregos”,
diz a reportagem.
O jornal cita o economista da Fundação Getúlio
Vargas Marcelo Neri, que se dedica a estudar a classe média, segundo o
qual a renda dos 50% mais pobres cresceu 68% em termos reais nos últimos
dez anos, enquanto os 10% mais ricos viram sua renda crescer somente
10% no período.
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